Acendo um cigarro
enquanto olho para a rua, observando da minha sacada as mentes
problemáticas que transitam de um lado para outro, cada uma com suas
dúvidas e desavenças com a vida. Observo próximo à esquina uma
criança, aparentemente seis anos, cabelos loiros e carregando uma
expressão de tristeza no rosto. Trago meu cigarro enquanto tento
imaginar o que se passa com aquele pequeno ser que ainda deveria ser
imune a todas essas preocupações e responsabilidades que nos
cercam. Reparo que ele segue com o olhar cada pessoa que cruza por
ali, como se estivesse buscando a resposta que tanto procura, mas
cada indivíduo está ocupado demais sobrevivendo dentro da sua
bolha, do seu mundo, que nem reparam naquela criança. Bato as
cinzas, ainda pensativo, em um cinzeiro próximo e me retiro por um
instante para pegar um café na cozinha. Ao retornar busco a figura
da criança e facilmente a encontro sentada em um banco da praça,
descansando seu queixo escorado sob suas mãos e com olhar, ainda
pesaroso, fixo para algo que não consegui enxergar de onde eu
estava. Me inclino quase derrubando a caneca de café que deixara na
borda da sacada, investigando o que tanto aquela criança visava, mas
fracasso. O que deixara aquele pequeno ser tão melancólico? Já
eram quase seis e o sol começava a se esconder no oeste, me
presenteando com uma visão sem igual, e o jovenzinho parecia estar
quase desistindo até que uma mulher, com um ar de desespero, corre
em sua direção o fazendo levantar o olhar para observar quem era.
Então o garoto deixa escapar um leve sorriso, limpando os olhos,
mandando aquela tristeza embora, como se conhecesse aquela mulher e
ela fosse a resposta para suas perguntas. Ela corre em sua direção,
afastando tudo de ruim que estivesse rondando aquele lugar e, ao se
aproximar, feito uma brisa no verão, abraça aquela criança acabando com toda a melancolia e sofrimento daquele menino. Ele
deita a cabeça em seu obro e agarra forte seu pescoço, sorrindo,
como se estivesse em seu castelinho, sua barraquinha que fizera na
sala de estar com almofadas e cobertores, em seu porto seguro.
Ah, Mães...

Que amor esse texto, cara! :)
ResponderExcluirTu escreve tri bem, nunca pare!