Ouço ela lá fora batendo na janela
querendo entrar, dançando pelo vidro, fazendo seu próprio caminho,
desviando de obstáculos recônditos para quem não compartilha de
seu ponto de vista. Ela que te consola, te abraça, te conforta em
seu peito, mãe confidente de lamúrias e injúrias que, acompanhada
à chama da lareira, brasa em cólera, te convida para saborear,
lisonjear, o doce da madrugada. Ela, que não é ciumenta, chuva que
acolhe e acalenta até mesmo quantas almas, inquietas e sedentas,
queiram dessa orgia desfrutar. Não cobra, não te acorda, apenas
junta suas coisas e vai embora, deixando para trás as lembranças
de uma noite incrível, inesquecível, para outro dia retornar.

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