quarta-feira, 10 de junho de 2015

CARTA


Sento-me em minha mesa para, depois de uma taça, escrever-lhe alguns versos. Dar a liberdade de rimas que, somadas a solidão, não tão pouca na ocasião, me fazem aflorar a criatividade que um dia me vi imerso. A janela entreaberta deixa um fio da noite, que já me fora  açoite de tantas camas mal dormidas, entrar pelo quarto e se instalar entre meu colo e a mesa.

Que fazes em minha morada, tal criatura da noite,  que me ronda com sua melancolia e tristeza?

Era um aviso talvez? Eis que o tal, daquela má sorte, conhecido por ser símbolo, me deixou pensante, porém nem um pouco relutante a indagar:

És hoje minha morte, mensageiro? Pois leve-me à minha amada, pequeno companheiro, e me poupe, sem espera eu imploro, da tal carta que estive versando todas essas noites para ela.