quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Mil e um pensamentos gélidos


Recebi, desde que acordei, todas as rajadas gélidas que propôs o tempo nesse inverno. Quem dera eu ter a mente tão quente quanto os pensamentos de alguém que saiba o que quer da vida para me aquecer nesses dias em que o sol não me é tão próximo. Senti um leve distanciamento desse meu amigo caloroso de uns dias pra cá, o que houve com aquela motivação que tínhamos, hein companheiro? Mesmo estando lá, era como se não estivesse. E então estava frio.

Vesti-me e fui para mais uma aula com as mãos mergulhadas no bolso da calça com alguma esperança de poupá-las do vento que cruzava pelas esquinas. Então aquela sensação de estar afastado de tudo e de todos tomou conta dos meus passos, e assim por diante durante o dia, que por sinal foi cansativo além do esperado. O toque e o som da voz não me alcançavam. As palavras pairavam pelo ar, próximas àquela nuvem cinza escura que misteriosamente me acompanhava desde que acordei. E então estava frio.

Na cama eu abracei o sentimento estranho que se aproximava lentamente como alguém curioso que chega em uma cena confusa, com passos miúdos, procurando compreender o que se passava no lugar. Minhas escolhas me enganam e meus desejos me consomem. Minha cabeça parece estar distante do corpo, e talvez por isso sinta uma nevasca em meus pensamentos, com a mente tão longe do resto, do que me aquece, do que me guia. E então estava frio.

E provavelmente amanhã estará frio novamente.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

CARTA


Sento-me em minha mesa para, depois de uma taça, escrever-lhe alguns versos. Dar a liberdade de rimas que, somadas a solidão, não tão pouca na ocasião, me fazem aflorar a criatividade que um dia me vi imerso. A janela entreaberta deixa um fio da noite, que já me fora  açoite de tantas camas mal dormidas, entrar pelo quarto e se instalar entre meu colo e a mesa.

Que fazes em minha morada, tal criatura da noite,  que me ronda com sua melancolia e tristeza?

Era um aviso talvez? Eis que o tal, daquela má sorte, conhecido por ser símbolo, me deixou pensante, porém nem um pouco relutante a indagar:

És hoje minha morte, mensageiro? Pois leve-me à minha amada, pequeno companheiro, e me poupe, sem espera eu imploro, da tal carta que estive versando todas essas noites para ela.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Suspiros

Sinto teus lábios
enquanto escapa um sorriso, 
leve e preciso,
ao percorrer indeciso, 
tal caminho de prazer. 

Pois cruzo meus dedos,
sem rumo, 
entre teus fios de cabelo e após,
uma tragada desse fumo, 
vicio loucamente em te querer. 

Então deito e sinto teu corpo em brasa, 
sensação clara, 
chama que queima entre teus olhos e os meus,
naquela última vez em que fui dono dos suspiros
que hoje são todos teus.

terça-feira, 3 de março de 2015

Imperfeições

Daquelas pequenas imperfeições
encontradas em teu semblante
fazem-me querer-te ainda mais
pois sem mais
não serias tu, portadora de tais belas imperfeições,
a causa mantenedora
desse meu sorriso ofegante.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Presos no Vício da Globalização.

     A internet é encarada hoje em dia como um vício para muitos, onde jovens se encontram presos nesses laços imaginários que ligam uma rede social à outra. Todo dia sentimos necessidade de estar presente nesse universo cibernético para compartilhar nossos sentimentos com o próximo, seja através de fotos ou postagens, mas muitas vezes esse comportamento exagerado nas rede sociais pode ser encarado com uma forma de lidar com a solidão ou a tristeza. Por outro lado sabemos que esse novo mundo trouxe facilidades por meio da globalização, onde atividades hoje em dia podem ser concluídas no conforto das nossas casas e nosso relacionamento com o mundo está mais aberto e ativo do que nunca. Temos a facilidade de conversar com pessoas de outros países sem andar no máximo até a nossa geladeira para buscar um lanche, por exemplo. Essa linha tênue que abrange o vício, carência de atenção das redes sociais e a facilidade relacionamento, de acesso à informação que a internet nos trouxe deixa muito a se refletir, pois é algo tão novo e impactante que realmente não nos adaptaríamos novamente a sobreviver longe dessa tecnologia. Temos que ter em mente que nossa evolução como sociedade necessariamente depende desse remédio cibernético e claro que, como todo remédio, o vício nos cerca esperando qualquer brecha emocional para surtir efeito.

Alexandre Menezes Xavier.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Mal que Assombra


Sim, temo as lembranças que assombram
Aquelas que me tomam acossado
De mãos atadas por se tratar
Sim de outro livro aberto e não do nosso já queimado.
É aquela que ainda enseja o medo apressado
Que por uma cisma o tal não esteja encerrado
Pois quero-te afastado, mal que assombra,
Passado que impiedosamente ronda
A sombra de quem queremos ao nosso lado.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

De Certo Me Lembro.


Meu mar de lembranças
Que sozinho me afago
Pouco recordo
E tampouco descordo
Das memórias que tive
E que hoje não guardo.
Mas espera um momento...
De certo me lembro!
De uma vez no relento
Onde naveguei solitário
Sem você ao meu lado
E soprei como o vento...