quarta-feira, 30 de abril de 2014

Caminhada.


Um caminhar longo que não leva a nada, uma chuva fria que não molha, que não acaba. 
Um objetivo sem determinação, um amor sem paixão.
Quero chegar, em um lugar, mas tropeço em pedras por aí. 
Creio que esse seja o caminho certo mas não persisto, desisto, talvez essa não seja a solução.
Agora percebo.
E o sentido da caminhada? Da sua caminhada.
Sobreviva, insista, teime.
caminhe.

Taverna.


Então já sentado em uma cadeira confortável, tua mão desliza pelo bolso à procura da chave que abre a porta das tuas emoções e imaginação. Uma chave que é formada por pequenos auto falantes, auriculares que, ao som de uma música mediévica te leva a tempos antigos...


Lembrar do doce hidromel escorrendo pela garganta e do cheiro de sangue instalado naquele ambiente sórdido, um tanto mórbido, no qual já estive inúmeras vezes presente me deixa eufórico, afinal, se passaram dois anos desde a última vez que compareci naquele recinto. Lembrar daquela melodia suave cantada por lábios carmesim de uma linda mulher acompanhada do leve som de uma lira me deixa louco. Sinto falta de entrar naquele âmbito fétido de álcool, puxar uma cadeira e sentar na mesa do canto esquerdo onde meus companheiros sempre se instalavam. Sinto falta do hidromel, do cheiro de sangue daquele lugar, das brigas que ocorriam por motivos toscos, dos meus companheiros, da voz e da boca daquela mulher que estimulavam meus instintos primitivos como ninguém. Mas estou aqui, deitado, jogado, com essas flechas no meu peito sentindo cada pingo dessa chuva fria como se fossem marteladas na minha cabeça.

Epiderme.

Sentado, largado, suando e pensando. 

Pensamentos vagos mas lembranças precisas.
Lembranças de como era o nosso circo, momentos, de um olhar a uma risada.
De um toque a uma lambada. 
Suor de quando tocava sua mão fria, macia, uma leve lembrança do nervosismo que corria, em minha pele ao sentir sua presença em minha epiderme.