quarta-feira, 30 de abril de 2014

Taverna.


Então já sentado em uma cadeira confortável, tua mão desliza pelo bolso à procura da chave que abre a porta das tuas emoções e imaginação. Uma chave que é formada por pequenos auto falantes, auriculares que, ao som de uma música mediévica te leva a tempos antigos...


Lembrar do doce hidromel escorrendo pela garganta e do cheiro de sangue instalado naquele ambiente sórdido, um tanto mórbido, no qual já estive inúmeras vezes presente me deixa eufórico, afinal, se passaram dois anos desde a última vez que compareci naquele recinto. Lembrar daquela melodia suave cantada por lábios carmesim de uma linda mulher acompanhada do leve som de uma lira me deixa louco. Sinto falta de entrar naquele âmbito fétido de álcool, puxar uma cadeira e sentar na mesa do canto esquerdo onde meus companheiros sempre se instalavam. Sinto falta do hidromel, do cheiro de sangue daquele lugar, das brigas que ocorriam por motivos toscos, dos meus companheiros, da voz e da boca daquela mulher que estimulavam meus instintos primitivos como ninguém. Mas estou aqui, deitado, jogado, com essas flechas no meu peito sentindo cada pingo dessa chuva fria como se fossem marteladas na minha cabeça.

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