Eu não dei conta que tinha me tornado um imbecil depois que comecei a
dominar meu dom. O reconhecimento e a fortuna foram consequências
disso mas em troca me tornei um pretensioso. Será que essas duas
coisas são capazes mesmo de mudar as pessoas ou depende da fraqueza
psicológica de cada um? Será que toda pessoa que sempre sofreu
dificuldade financeira é novamente moldada pela fortuna ou apenas
aquelas que deixam ser dominadas pelo mesma? Bom, eu fui dominado, me
entreguei à ganância. Quanto mais dinheiro eu ganhava, menos eu
dependia das pessoas que me cercavam. Amigos era o que não me
faltava, justamente aqueles “amigos” que te cercam por causa do
teu sucesso, então acabei esquecendo dos verdadeiros. Tive várias
namoradas, uma em cada mês, praticamente, todas lindas, ricas e
filhas de grandes investidores. Então acabei esquecendo minha
família.
Aos 19 anos eu fiz uma
viagem rápida pra capital e participei de alguns jogos de poker
aonde fiz vários contatos. Acabei virando noivo da filha de um
jogador de poker que eu arranquei uma boa quantia. Ele viu futuro em
mim, então acabei conseguindo um “amigo” nesse ramo e logo após,
um sogro. Eu morava apenas com meu pai, então deixei uma carta e me
mudei definitivamente para a humilde mansão do meu novo amigo. Ele
investiu em mim me apoiando em torneios e me ensinando alguns
truques. Ganhamos até 1 milhão e meio nessa parceria e eu queria
cada vez mais. Acabei torrando uma boa parte em festas onde conheci
várias meninas, uma delas acabei casando em uma viagem para Las
Vegas mas a sorte é que deu para anular. Claro que o noivado com a
filha do meu investidor deu em merda e então estava na capital por
minha conta, sozinho, jovem e milionário.
A ganância foi tomando
conta de mim, eu não sabia a hora de parar, queria cada vez mais,
devorando o prazer. Consumindo festas, roupas, mulheres, carros,
viagens como se fossem água. Em um ano eu já era bem conhecido,
Daniel Hook, o futuro do poker. Resolvi investir meu dinheiro e
não apenas torrar, mas sim duplicar, triplicar, pois uma das coisas
que aprendi era que dinheiro não aceita desaforo, digamos assim. Aos
22 eu já tinha uma empresa de aplicativos e jogos de poker online
bem conhecida. Tinha muitos funcionários e na verdade passava meu
tempo aproveitando a grana do que ajudando na empresa Hook, por isso eu
tinha a Charlotte como minha secretária. Ela administrava a minha
empresa e qualquer problema repassava pra mim, ou melhor, resolvia
sozinha porque eu nunca dei importância pros problemas da empresa.
Havia um faxineiro
funcionário que faleceu após sofrer um acidente no elevador da
empresa. Há algumas semanas atrás ele trancara com algumas pessoas
dentro. Eu sabia que ele estava com problemas mas como sempre,
negligenciei. Deixava tudo para Charlotte resolver, e claro que ela
não era capaz de resolver tudo, haviam milhares de problemas na
empresa. O filho do funcionário entrou com um processo contra a
empresa mas eu podia contratar os melhores advogados do país então
não foi problema ganhar a causa. Além de ganhar eu entrei com
perdas e danos e fechei todas as portas de emprego para a família.
Acabei com aquele garoto insolente que queria tirar proveito da
situação e arrancar meu suado dinheiro, era essa minha mentalidade.
Ele apenas queria o que era justo pois seu pai era a única pessoa
que sustentava a família, e eu o matei por pura negligência. Após
a morte do seu pai e as enormes dívidas da família sua mãe
suicidou-se, o deixando com a irmã, sua tia.
Essa história estava
estampada na testa do Bernard enquanto me fitava com ódio. Eu tinha
esquecido de como ser generoso, de ser amável, esqueci da
honestidade, esqueci da minha família e dos meus amigos. Amigos de
infância, amigos verdadeiros, aqueles que eu sempre pude confiar. E
Além disso eu acabei com a família do meu melhor amigo de infância e não me
dei conta do que estava fazendo. Agora a única pessoa que poderia me
ajudar nessa busca pela Janie me odiava mais que tudo no mundo e eu
estava sem saída.
Continua...


Nenhum comentário:
Postar um comentário